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O que você precisa saber sobre vacinas contra a Covid-19

Por Redação ZERO71 em 28/03/2021 às 01:06:25

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o movimento antivacina como uma das maiores ameaças à saúde global. Nos Estados Unidos, essa afronta à ciência fez ressurgir surtos de doenças erradicadas, como sarampo e poliomielite. No Brasil, a onda começava a ganhar cada vez mais espaço, o que era motivo de preocupação entre especialistas.

A pandemia de coronavírus, no entanto, colocou bilhões de pessoas em compasso de espera, na expectativa pela descoberta da imunização para o novo coronavírus. Em meados de junho, estimativas indicavam a mobilização de cerca de 200 grupos de cientistas em busca de uma proteção segura e eficaz. Tantos esforços não são à toa, já que a vacina contra Covid-19 é considerada a única alternativa ao distanciamento social.

As iniciativas empreendidas dentro de universidades e laboratórios públicos e privados envolvem os mais variados métodos. Enquanto alguns pesquisadores se valem de processos tradicionais, como ativação e resposta do sistema imunológico, outras lançam mão de inovações como o emprego de nanotecnologia para combater o vírus.

Logo, não será surpresa se houver mais de uma vacina contra Covid-19 disponível ainda em 2020. Ainda assim, as projeções indicam que a produção em larga escala só deverá acontecer em 2021.

Etapas do desenvolvimento

Até agora, o processo mais adiantado para a descoberta de uma vacina contra Covid-19 é o da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Em julho, a instituição deverá começar a testar a vacina em humanos – inclusive no Brasil. O trabalho desenvolvido pelos cientistas de Oxford usa o adenovírus (desativado, que não causa doença no organismo) associado a vetores virais com partes do novo coronavírus.

Por um lado, os altos índices de pacientes com Covid-19 no Brasil são motivo de preocupação. Por outro, o fato de o país ter se tornado, em junho, o epicentro global da pandemia, faz com que esse seja o cenário ideal para testagens de vacina. A estratégia é imunizar pessoas que não têm a doença e que dentro de um curto espaço de tempo estarão expostas ao vírus. Assim, será possível observar o desfecho do quadro em relação a quem não foi vacinado.

Os planos envolvem teste de mil voluntários que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus e que não tenham contraído o vírus. No Brasil, a ação é coordenada pelo Centro de Referência para Imunológicos Especiais (Crie) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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Principais vacinas

Em diferentes etapas de análise, existem outras cinco vacinas que já se encontram em fase de testes em humanos. Confira:

  • Vacina mRNA-1273 – Moderna Therapeutics: produzida nos Estados Unidos, é baseada em um RNA mensageiro, ou seja, não utiliza o vírus ativo do Sars-Cov-2. A ideia da vacina é provocar no organismo uma resposta do sistema imunológico contra a infecção.
  • Vacina INO-4800 – Inovio Pharmaceuticals: também desenvolvida nos Estados Unidos, trata-se de uma vacina considerada mais inovadora. Os cientistas criaram em laboratório o DNA do vírus (já que o coronavírus só tem RNA) para que, no interior das células humanas, sejam produzidos anticorpos.
  • Vacina AD5-nCoV – CanSino Biologics: iniciativa oriunda da China, justamente onde o coronavírus surgiu. A vacina se vale de uma versão do adenovírus para transportar um gene da proteína do novo coronavírus até que o organismo desenvolva uma resposta imune.
  • Vacina LV-SMENP-DC: outra solução chinesa. A vacina usa leucócitos que protegem o corpo de antígenos para buscar uma resposta imune.
  • Vacina do Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, subordinada ao Grupo Farmacêutico Nacional da China, Sinopharm: originária da cidade do primeiro surto de coronavírus no mundo, Wuhan. O método é o mais próximo do tradicional, que utiliza partículas do vírus inativado, bactéria ou outros patógenos cultivados para gerar resposta imune. Esse tipo de vacina tem maior potencial de aprovação por se tratar de uma tecnologia já existente.

Por dentro do processo de produção de vacinas

Os experimentos de Oxford, comandados pela Unifesp no Brasil, referem-se à etapa de testes. Em geral, existem seis níveis de análise de resultados:

Fase exploratória (laboratorial): momento em que é feita a análise da melhor formulação das vacinas – a partir de centenas de amostras de moléculas.

Fase pré-clínica: também conhecida como não-clínica, é nessa etapa que ocorrem testes em animais. A estratégia é comprovar in vitro os resultados tidos anteriormente.

Fase clínica: depois da certificação dos resultados em animais, a vacina é testada em humanos, o que é feito em três etapas:

  • Primeiramente, são testados dezenas de adultos saudáveis, voluntários, a fim de avaliar a segurança do produto.
  • Depois, verifica-se a segurança e a eficácia da vacina. Nesse momento, centenas de voluntários são testados.
  • Na última fase de teste, a vacina é aplicada em milhares de pessoas. A ideia é avaliar sua eficácia no público-alvo. Aqui, são monitorados eventos adversos que possam surgir do imunizador.

Fiocruz na vanguarda da vacina contra Covid-19

Antes mesmo do coronavírus, o Brasil já era considerado referência em imunização. Isso se deve, em especial, ao trabalho desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que abastece o mercado nacional com 25 tipos de vacina. Entre elas, as imunizações que ajudaram a erradicar doenças como poliomielite e sarampo – que voltaram a ameaçar a população por conta do movimento antivacina nos últimos anos.

Diante da pandemia atual, a instituição se dedica a encontrar uma maneira eficaz de imunizar a sociedade. Nesse sentido, a aposta vem da Fiocruz de Minas Gerais, que trabalha em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A vacina em desenvolvimento tem proteção dupla: contra a Covid-19 e a gripe comum. Os pesquisadores trabalham com o vírus da influenza, a fim de que ele produza proteínas para combater o Sars-Cov-2. Dessa maneira, será possível prevenir ambas as doenças.

O que temos até o momento?

Principal pesquisador do projeto na Fiocruz, Alexandre Vieira Machado é cauteloso em relação às previsões de uma vacina contra a Covid-19 em curto prazo: "Precisamos ter em mente que é clara a urgência de uma vacina, que o Brasil tem pronta-resposta e que terá sua própria vacina. Mas, para isso, é fundamental haver transferência de recursos". Enquanto os aportes em iniciativas de pesquisa e desenvolvimento de vacinas mundo afora envolvem cifras milionárias, o Brasil vive um momento delicado em relação à transferência de recursos à ciência.

Outro aspecto a considerar, segundo Machado, é o tempo de análise de resultados. "Precisaremos observar se a vacina terá proteção duradoura ou se será necessário repetir doses. Ou, ainda, se a segunda dose terá a mesma formulação da primeira", comenta. Apesar das incertezas, o pesquisador se mostra otimista com os resultados paralelos obtidos pelos estudos feitos até agora. E deixa um recado aos profissionais da saúde. "Eles não estão a sós. Existe uma gama enorme de pesquisadores em seus laboratórios em busca da vacina e consequentemente levantando informações sobre diagnóstico, estudos de epidemiologia, de virologia e a melhor compreensão patógeno", afirma.

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