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Documento na CPI mostra que ministério não queria 'protagonismo de Doria' na vacinação

Por Redação ZERO71 em 11/06/2021 às 14:37:46
Documentos enviados à CPI da Covid e que foram obtidos pela TV Globo mostram que o Ministério da Saúde não queria o "protagonismo" do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no calendário de vacinação no país.

A informação consta em documento interno que circulou no ministério em 2020 e tratava sobre a estratégia de comunicação da pasta na pandemia.

O documento é intitulado "Novembro 2020_Planejamento em comunicação anúncio CoronaVac".

Em novembro, o governo federal ainda não tinha fechado com o Butantan o acordo para compra de doses da vacina. Era um período em que o presidente Jair Bolsonaro, em disputa política com Doria, desdenhava da "vacina chinesa".

No documento, o ministério faz um diagnóstico sobre a atuação de Doria a favor da CoronaVac.

"São Paulo domina pela sensação de 'segurança' ao anunciar mês e data para ter uma vacina", afirmou a pasta.

Na época, o governo federal só tinha contrato com a AstraZeneca/Oxford, mas ainda não tinha uma data de quando as doses começariam a chegar.

O documento afirma que se intensificariam as cobranças ao governo federal sobre uma data para a vacinação.

Uma das alternativas apresentadas pelo planejamento da pasta foi não apontar um dia específico, mas sim dizer que o cronograma estaria aberto e que o ministério estaria pronto para vacinar assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovasse o imunizante.

Nesse ponto do documento, o ministério aponta o que seria um ponto negativo dessa estratégia:

"Deixa o protagonismo do calendário com Dória e laboratórios", escreveu a Saúde.

O documento do Ministério da Saúde disse ainda que "na imprensa, a narrativa da 'politização' marca o debate sobre vacinas e se intensifica progressivamente em decorrência das movimentações do governador de São Paulo, João Doria".

Negociações da CoronaVac

A CoronaVac é produzida pelo Butantan em parceria como laboratório chinês Sinovac. O contrato do Butantan com o governo federal foi fechado só em janeiro de 2021.

Em depoimento à CPI, o diretor do Butantan, Dimas Covas, disse que a venda de doses poderia ter sido acertada em outubro. Segundo ele, declarações de Bolsonaro contra a CoronaVac naquele mês interromperam as negociações. Isso, de acordo com Dimas, prejudicou o início da vacinação no país.

Ao longo de 2020, Bolsonaro desdenhou da CoronaVac. Chamou o imunizante de "vacina chinesa" e disse que não seria comprado pelo governo federal. O pano de fundo é uma disputa política com o governador de São Paulo.

O Butantan é ligado ao governo paulista. Doria, ao longo da pandemia, fez um contraponto com Bolsonaro em relação a vacinas, distanciamento social e uso de máscaras. Enquanto o presidente criticava essas ações, o governador era um defensor das medidas.

Fonte: G1

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