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Com sequelas após atropelo, estudante africano faz campanha de arrecadação para fazer cirurgia: 'quero ter uma vida normal'

Por Redação ZERO71 em 03/12/2021 às 06:41:33
Natural de Guiné Bissau, país africano, Filipe Buba, de 31 anos, se mudou para o Brasil para cursar Bacharelado em Humanidades, na Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira. ID: 10094874

O que era para ser a realização de um sonho na vida do estudante Filipe Buba N'hada, de 31 anos, se tornou um pesadelo, após ele ser atropelado em São Francisco do Conde, na região metropolitana de Salvador, logo após a sua chegada ao Brasil em 2015.

Natural de Guiné Bissau, país africano, Filipe se mudou para o Brasil para cursar Bacharelado em Humanidades, na Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em São Francisco do Conde. No entanto, após dois meses de estadia, ele foi atropelado por um carro quando voltava da casa de um amigo para a faculdade.

Desde então, ele enfrenta sequelas do acidente. Após anos de espera por um atendimento através do Sistema Único de Saúde, amigos de Filipe criaram uma campanha virtual para arrecadar dinheiro e ajudar o estudante a fazer a cirurgia.

Seis anos e uma longa espera

Felipe não lembra como aconteceu o acidente que deu origens a seus problemas. "Não lembro exatamente como aconteceu, porque fiquei desacordado, mas meus amigos disseram que a gente estava caminhando e veio um carro em alta velocidade. Um dos meus amigos gritou, eu pulei, mas fui atropelado", explica.

"O carro me levou, eu caí do lado, com a parte esquerda no chão, e fiquei com uma cicatriz no quadril".

Filipe ficou com 11 parafusos no braço após ser atropelado na Bahia

Arquivo Pessoal

Filipe conta que foi socorrido para um hospital de São Francisco do Conde, onde ficou três dias internado, mas precisou ser transferido para Salvador, para um atendimento especializado.

Na capital baiana, ele realizou exames e fez uma cirurgia no braço, onde 11 parafusos foram colocados. Além disso, ele conta que os médicos fizeram um curativo no quadril esquerdo.

"Perguntei ao médico se eu não ficaria com sequelas e ele me disse que não. Fiquei feliz com a boa notícia, mas dois anos depois, em 2017, comecei a sentir dores no quadril esquerdo".

As dores se tornaram frequentes e, ao voltar ao médico, ele descobriu que desenvolveu uma artrose grave no quadril esquerdo. O estudante relata que tentou atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), mas ficou na fila de espera por cerca de dois anos e só conseguiu vaga em 2019.

"Quando cheguei no hospital, me disseram que meu caso era de cirurgia, porque se eu tivesse ido mais cedo, talvez teria conseguido um tratamento paliativo, que prorrogaria essa fase, porque era algo que eu ficaria para o resto da vida, por causa da queda [no acidente]", explica.

Estudante africano é atropelado na BA e luta para conseguir fazer cirurgia

Arquivo Pessoal

Segundo Filipe, a cirurgia que ele precisa fazer para colocar uma prótese de cerâmica no quadril não estava disponível em Salvador.

"Não tinham cirurgia para a minha idade, só para pessoas de 60 anos para cima. O que tinham lá, não era bom para minha idade, porque teria que trocar duas ou três vezes, e não seria bom para mim", diz.

Apesar das dificuldades, Filipe concluiu a graduação em 2018 e iniciou um novo curso, a licenciatura em ciências sociais, na Unilab. No entanto, em outubro deste ano ele se mudou para São Paulo para fazer um outro curso, e buscar tratamento para seu problema.

"Como os médicos disseram que não tinha prótese para pessoa da minha idade na Bahia, eu vim para São Paulo. Quando cheguei aqui, disseram que tem, mas que eu teria que começar do zero e passar por tudo de novo, entrar na fila do SUS e aguardar uma vaga".

Filipe precisa fazer uma cirurgia para colocar uma prótese de cerâmica no quadril

Arquivo Pessoal

Segundo Filipe, o médico disse que se não fizer a cirurgia logo, ele pode desenvolver uma outra artrose. Por causa disso, ele fez alguns orçamentos em hospitais particulares e o custo varia de R$ 49,7 mil e R$ 64,5 mil.

"Eu ando com muletas, tem dias que no banho, minha bacia chega a parar. Uma professora minha disse que está ficando muito grave e falou para a gente criar uma campanha de arrecadação para fazer a cirurgia em um hospital particular", explica.

Para Filipe, a realização da cirurgia vai ajudá-lo a melhorar a qualidade de vida.

"Quero voltar a ter uma vida normal, quem puder me ajudar, eu agradeço".

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Fonte: G1

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