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Ano Novo: 6 boas notícias que 2021 vai nos deixar

Por Redação ZERO71 em 01/01/2022 às 10:11:08
O ano de 2021 foi muito difícil, mas também houve notícias positivas, como o desenvolvimento de vacinas e o retorno dos pandas à natureza. Funcionário prepara vacina contra Covid para aplicação em jovem em Quito, no Equador, em foto de 13 de setembro

Rodrigo Buendia/AFP

Para milhões de pessoas, o ano de 2021 foi um ano muito difícil e doloroso. Mas também foi um ano que nos deu boas notícias, algumas delas contadas pela BBC.

Além disso, pedimos a três especialistas, de diferentes áreas, que escolhessem uma notícia positiva e explicassem sua importância.

Aqui apresentamos seis notícias positivas do ano.

1. As vacinas contra covid-19 provaram ser eficazes

Para Edda Sciutto, bioquímica e imunologista do Instituto de Pesquisas Biomédicas da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), não há dúvida de que uma das melhores notícias de 2021 é que o "coronavírus é suscetível à imunidade e que vacinas poderiam ser desenvolvidas de forma eficaz para controlar a pandemia".

"Isso é o mais importante que aconteceu neste ano porque existem outros patógenos que não são suscetíveis às vacinas e se fosse esse o cenário estaríamos em uma situação grave", diz à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

As vacinas contra a covid-19 foram desenvolvidas em tempo recorde.

A covid foi declarada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de março de 2020 e, em menos de uma semana, a primeira vacina de mRNA iniciou a fase um de ensaio clínico.

A US Food and Drug Administration (FDA), agência sanitária dos Estados Unidos, aprovou a vacina Pfizer-BioNTech em 11 de dezembro de 2020 e, alguns dias depois, deu luz verde à opção fabricada pela Moderna.

Em 30 de dezembro, o Reino Unido aprovou a versão da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca.

Junto a outras vacinas desenvolvidas em países como China e Rússia, essas versões ajudaram a imunizar milhões de pessoas no mundo. Estima-se que mais de 8 bilhões de doses foram administradas em pelo menos 197 países.

A detecção, em novembro, da variante ômicron colocou as vacinas à prova.

Segundo Ignacio López-Goñi, professor de Microbiologia da Universidade de Navarra, na Espanha, "as pessoas com duas doses de vacina continuam protegidas contra a hospitalização, mesmo que tenham perdido parte da proteção contra a infecção".

Provavelmente, isso se deve ao fato de a maioria das vacinas dar uma resposta celular que não é afetada por essa variante.

Embora muitos mais estudos sejam necessários, pesquisas feitas até agora indicam que uma terceira dose ajuda a estimular a resposta imunológica e a proteção contra a ômicron, com estimativas de eficácia entre 70 e 75%, disse Melissa Hawkins, professora de Saúde Pública da American University, em Washington, nos Estados Unidos.

Uma análise realizada pelo Imperial College, de Londres, indica que ter uma população imunizada reduz entre 25% e 30% o risco de hospitalização por infecção pela ômicron.

Mas os problemas no fornecimento de vacinas nos países de baixa renda também marcaram 2021.

Ao longo do ano, lideranças de diversos países e entidades fizeram apelos veementes por uma distribuição equitativa das vacinas no mundo.

Em março, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, criticou a disparidade crescente no número de vacinações entre países ricos e pobres.

É uma lacuna "que cresce a cada dia e se torna mais grotesca a cada dia", disse.

Em setembro, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou essa desigualdade como uma "obscenidade" e uma falha ética.

Apesar disso, a América do Sul encerra 2021 com dados auspiciosos: é a região que apresenta a maior vacinação contra o coronavírus, com 63,4% de sua população completamente inoculada, e 74,3%% de seus 434 milhões habitantes com pelo menos uma dose, de acordo com dados oficiais publicados pela OMS.

2. Representação tridimensional de proteínas

O avanço no campo da representação tridimensional de proteínas neste ano foi elogiado por vários cientistas.

"Isso vai mudar a face da biologia moderna", disse Tobin Sosnick, biofísico da Universidade de Chicago, em um artigo publicado na revista científica Nature.

"Haverá um antes e um depois de 2021, quando as pessoas perguntarem: 'O que é biologia estrutural?'", escreveu.

Na reportagem que a revista dedica a personalidades que "ajudaram a moldar a ciência em 2021", destaca-se o trabalho de John Jumper, que juntamente com os seus colegas da DeepMind - empresa que se dedica à inteligência artificial - desenvolveu "uma ferramenta que pode transformar a biologia."

A Science, outra revista de referência no campo científico, assim como a NewScientist, fizeram eco a esta tecnologia ao rever os avanços mais importantes do ano.

"Não tenho dúvidas de que nos próximos anos (a tecnologia) vai gerar uma enorme mudança social na área da saúde, diagnósticos, lavouras, produção de alimentos, cuidado com o meio ambiente", disse o professor e microbiologista Diego Comerci.

"Este é um sonho perseguido desde o Prêmio Nobel de Christian Anfinsen (1972) e, a partir daí, todos os bioquímicos do mundo, biólogos moleculares, queriam ter programas que lhes permitissem prever com precisão a estrutura tridimensional das proteínas".

Os programas de inteligência artificial Alpha Fold e RoseTTA Fold têm sido capazes de prever com "uma enorme quantidade de cálculos e precisão" a estrutura tridimensional das proteínas, graças a sua sequência de aminoácidos, explica o especialista.

"É importante porque a maioria das funções bioquímicas das células de todos os seres vivos são realizadas por proteínas, sabendo que sua estrutura tridimensional nos permitiria desenvolver digitalmente novos medicamentos e inibidores."

"O impacto que essa tecnologia tem na pesquisa de novas terapias e vacinas vai ser brutal e veremos isso muito em breve, nos próximos anos".

A vantagem, ele explica, é que as equipes por trás do Alpha Fold e RoseTTA Fold disponibilizaram os bancos de dados gratuitamente para todos os pesquisadores do mundo.

E, como sugere a revista Nature, imagine que determinar a estrutura de quase todas as proteínas poderia ser tão simples quanto fazer uma pesquisa na internet.

3. A primeira vacina contra a malária

A malária é uma das mais mortais doenças da humanidade há milênios, matando principalmente bebês e crianças. Ela é causada por um parasita que invade e destrói as células sanguíneas para se reproduzir, e é transmitida por picadas de mosquito.

No entanto, no dia 6 de outubro, uma boa notícia foi divulgada: a OMS deu luz verde à vacina RTS, que comprovou sua eficácia há seis anos.

Após o sucesso dos programas piloto de imunização em Gana, Quênia e Malaui, a OMS recomendou que a vacina fosse usada entre crianças na África Subsaariana e em outras regiões com transmissão de moderada à alta.

"É um momento histórico", disse Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS.

"A tão esperada vacina contra a malária para crianças é um avanço para a ciência, a saúde infantil e o controle da doença", disse. "(Poderia) salvar dezenas de milhares de vidas jovens todos os anos."

OMS aprova uso da 1ª vacina criada contra a malária

4. Mais mulheres chegando ao poder

Em 1º de março, uma mulher fez história na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Depois de ocupar o segundo lugar no Banco Mundial, a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala tornou-se a primeira mulher e a primeira africana a assumir o cargo de diretora-geral da OMC.

Para a economista, formada em Harvard e com mais de 30 anos de experiência na área de desenvolvimento em diferentes continentes, a OMC precisava "de uma reorganização, alguém disposto a fazer as reformas e liderar".

Na América Latina, por sua vez, Xiomara Castro ganhou as eleições em Honduras e a partir de 2022 será a primeira mulher a governar o país.

Castro vai encerrar 12 anos de um governo conservador. É a primeira vez que a esquerda hondurenha chega ao poder depois que Manuel Zelaya, marido de Castro, foi deposto por um golpe em 2009.

Meses antes, em janeiro, a Estônia havia nomeado a primeira mulher chefe de governo de sua história: Kaja Kallas.

Em março, a morte do presidente da Tanzânia, John Magufuli, levou sua vice-presidente, Samia Suluhu Hassan, a se tornar a primeira mulher chefe de Estado do país.

Em agosto, a presidente disse à BBC que havia pessoas que duvidavam que ela fosse qualificada para liderar a Tanzânia. "Alguns não acreditam que as mulheres podem ser melhores presidentes e estamos aqui para mostrar que podemos", disse.

Outra mulher que ganhou as manchetes internacionais em 2021 foi Kamala Harris.

De mãe indiana e pai jamaicano, ela se tornou a primeira mulher, a primeira negra e de ascendência asiática a se tornar a vice-presidente dos Estados Unidos.

Para Frédéric Mertens de Wilmars, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Europeia de Valência, a nomeação de Kamala foi a boa notícia do ano.

"Internamente, ela mudou a visão que os americanos têm de sua própria sociedade em termos de representatividade do establishment político", disse.

"E, em nível internacional, também é um sinal positivo para as mulheres e para todos os indivíduos que historicamente foram discriminados por causa de sua cultura, religião, raça e diversidade étnica. Elas observam e dizem: 'sim, nós podemos', há mais além do mandato de Barack Obama."

5. A importância da saúde mental no esporte

O ano de 2021 foi olímpico, o que gerou emocionantes imagens dos jogos.

Já Simone Biles, uma das melhores ginastas da história, levantou uma importante reflexão. A atleta americana se retirou de cinco de seus seis últimas disputas para se concentrar em sua saúde mental.

"2021 não foi o ano que eu esperava. Neste verão, tive que me afastar da competição para me recuperar de uma lesão invisível", disse ela, em dezembro, após receber o prêmio pelo conjunto de sua obra na cerimônia de Personalidade Esportiva do Ano da BBC.

"Essa foi a decisão mais difícil da minha vida, mas decidi falar abertamente para mostrar que as lutas pela saúde mental não são nada para se envergonhar", disse.

"No início esperava algumas críticas, mas o que aconteceu foi o contrário. O apoio e o incentivo que recebi foram avassaladores e me enche o coração pensar nessas palavras positivas. O que sempre vou valorizar, mais do que qualquer medalha, é ouvir como eu poderia ter ajudado alguém a se sentir um pouco melhor."

O impacto de sua atitude, dentro e fora da arena esportiva, foi imenso.

"Sigo Biles e a admiro muito. Quando ela falou o que aconteceu com ela, além da decisão que ela tomou, eu também fiz uma pausa. Foi natural, e é normal que eu pudesse sentir o mesmo, porque também estava na mesma situação", disse a ciclista colombiana Mariana Pajón, a mulher com maior número de medalhas de ouro na América Latina em modalidades individuais nos Jogos Olímpicos, em um entrevista com BBC Mundo em Tóquio.

Biles não foi a única atleta de elite a falar publicamente sobre saúde mental.

A tenista japonesa Naomi Osaka, vencedora de quatro torneios do Grand Slam e que se tornou a número um do mundo, decidiu se retirar do Aberto da França pelo mesmo motivo: para se concentrar em sua saúde mental.

Em julho, a atleta escreveu um artigo na revista Time intitulado: "Está tudo bem, não vai ser bom. (É bom não ser bom)".

Simone Biles decide não disputar a prova individual geral da ginástica artística

6. A volta dos pandas e demônios da Tasmânia

Os esforços de conservação dos animais trouxeram notícias promissoras ao longo de 2021.

Em julho, as autoridades chinesas anunciaram que não classificam mais os pandas como ameaçados de extinção, embora tenham alertado que a espécie continua vulnerável.

A classificação melhorou porque o número de indivíduos na natureza atingiu pelo menos 1.800.

"Os chineses têm feito um excelente trabalho investindo nos habitats dos pandas, expandindo e criando novas reservas", disse Ginette Hemley, vice-presidente para conservação da vida selvagem do World Wildlife Fund (WWF).

A nova classificação ocorre anos depois de a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) remover este animal de sua lista de espécies ameaçadas de extinção e o reclassificar como "vulnerável", em 2016.

Embora a "Lista Vermelha" da IUCN classifique 37.480 espécies como ameaçadas de extinção, nem tudo é desolador.

Em setembro, essa agência informou que, após reavaliar as sete espécies de atum mais pescadas comercialmente, constatou que "quatro delas mostram sinais de recuperação graças a cotas de pesca sustentável ??e a um combate mais eficiente contra a pesca ilegal implementadas pelos países".

Isso permitiu que o atum-rabilho do Atlântico passasse da categoria "em perigo" para a de "menor preocupação"; atum-rabilho do sul, de "criticamente em perigo" a "em perigo"; e o atum-voador e o atum albacora passassem de "quase ameaçados" a "menos preocupantes".

"A atualização de hoje da Lista Vermelha da IUCN é um poderoso sinal de que, apesar das crescentes pressões sobre nossos oceanos, as espécies podem se recuperar se os Estados realmente se comprometerem a implementar práticas sustentáveis", disse Bruno Oberle, diretor-geral da IUCN.

Em fevereiro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) informou que a onça pintada, "o maior predador da América do Sul", havia retornado aos estuários do Iberá, no nordeste da Argentina.

Isso aconteceu 70 anos depois que a caça e a perda de habitat levaram essa espécie à extinção naquela área.

Uma onça-pintada - que havia sido resgatada no Brasil - e seus dois filhotes foram soltos no Gran Parque Iberá, os primeiros dos nove indivíduos que estão previstos para serem libertados na área.

"A reintrodução cuidadosa de predadores como as onças pode ajudar a restaurar os ecossistemas", disse Doreen Robinson, chefe de Vida Selvagem do PNUMA.

"Sem essas espécies, a biodiversidade sofre e os serviços que a natureza oferece podem entrar em colapso, desde a mitigação de doenças e proteção do solo até a regulação dos sistemas de água."

Outra espécie que deu boas notícias neste ano foram os demônios da Tasmânia.

No final de 2020, grupos ambientalistas introduziram 26 espécimes adultos no norte de Sydney e, em maio, relataram que, pela primeira vez em 3.000 anos, os demônios da Tasmânia renasceram na Austrália continental.

"Embora seja apenas o começo, conseguimos devolver o diabo ao continente", disse Tim Faulkner, presidente da Aussie Ark, uma das organizações que promove o programa.

Desde seu retorno, "a equipe e eu ficamos maravilhados: não apenas os demônios sobreviveram, mas cada um deles evoluiu".

Estima-se que 25 mil demônios ainda vivem na ilha da Tasmânia.

Fonte: G1

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